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Deficiência Visual

Deficiência Visual

Visão

A visão é um dos sentidos que nos ajuda a compreender o mundo à nossa volta, ao mesmo tempo que nos dá significado para os objectos, conceitos e ideias.
A comunicação por meio de imagens e elementos visuais relacionados é denominada "comunicação visual". Os humanos empregam-na desde o amanhecer dos tempos. Na realidade, ela é predadora de todas as linguagens escritas.

Deficiência Visual

Deficiência visual é a perda ou redução da capacidade visual em ambos os olhos, com carácter definitivo, não sendo susceptível de ser melhorada ou corrigida com o uso de lentes e/ou tratamento clínico ou cirúrgico.
De entre os deficientes visuais, podemos ainda distinguir os portadores de cegueira e os de visão subnormal.

Causas da Deficiência Visual

• Congénitas: amaurose congénita de Leber, malformações oculares, glaucoma congénito, catarata congénita.
• Adquiridas: traumas oculares, catarata, degeneração senil de mácula, glaucoma, alterações relacionadas à hipertensão arterial ou diabetes.

Como identificar?

• Desvio de um dos olhos;
• Não seguimento visual de objectos;
• Não reconhecimento visual de pessoas ou objectos;
• Baixo aproveitamento escolar;
• Atraso de desenvolvimento.

Sinais de alerta

• Olhos vermelhos, inflamados ou lacrimejantes;
• Pálpebras inchadas ou com pus nas pestanas;
• Esfregar os olhos com frequência;
• Fechar ou tapar um dos olhos, sacode a cabeça ou estende-a para a frente;
• Segura os objectos muito perto dos olhos;
• Inclina a cabeça para a frente ou para trás, pisca ou semicerra os olhos para ver os objectos que estão longe ou perto;
• Quando deixa cair objectos pequenos, precisa de tactear para os encontrar;
• Cansa-se facilmente ou distrai-se ao aplicar a vista muito tempo.

Consequências da Baixa Visão

Percepção Turva

• Os contrastes são poucos perceptíveis;
• As distâncias são mal apreciadas;
• Existe uma má percepção do relevo;
• As cores são atenuadas.

Escotoma Central e Visão Periférica

• Funciona apenas a retina periférica, que não é tão
discriminativa, pelo que pode ser necessária a ampliação
da letra para efeitos de leitura;
• É em geral impeditiva das actividades realizadas com proximidade dos restantes elementos ,bem como da leitura;
• Apresenta acuidade visual baixa (cerca de 1/10).

Visão Tubular

• A retina central funciona, podendo a acuidade visual ser normal;
• A visão nocturna é reduzida, pois depende funcionalmente da retina periférica;
• Podendo não limitar a leitura, é muito limitativa das actividades de autonomia.

Patologias que conduzem à baixa visão

Atrofia do Nervo Óptico:

• Degenerescência das fibras do nervo óptico. Se for total, não há percepção luminosa.

Alta miopia:

• Baseia-se num defeito de refracção elevado (> a 6 dioptrias), que frequentemente é hereditário, associado a outros aspectos degenerativos. O risco do deslocamento da retina é elevado, nesse caso, devem ser tomadas precauções necessárias.

Cataratas Congénitas:

• Perda de transparência do cristalino, originando perturbações na diminuição da acuidade visual. A visão periférica também está normalmente afectada, daí existir uma grande dependência na funcionalidade e na autonomia.

Degeneração macular:

• Situa-se, na zona central da retina, mácula, e constitui uma das causas mais frequentes de dependência visual ligada à idade. Outras patologias surgem em escalões etários mais jovens (ex.: queimadura da mácula – eclipse solar). A visão periférica não sofre alterações pelo que não há problemas na mobilidade. A visão central é afectada por escotomas que podem progredir.

Glaucoma:

• É uma patologia do olho em que a pressão intra-ocular é elevada por produção excessiva ou deficiência na drenagem do humor aquoso.
• O glaucoma agudo é mais raro, doloroso e normalmente implica intervenção cirúrgica no seu tratamento.

Outras Retinopatias

• Degenerescência da retina que poder ser hereditária ou não. Envolve perda de visão e consequentes problemas na mobilidade, ficando a pessoa com visão tubular.

Síndroma USHER

• Associa a retinopatia pigmentar à patologia auditiva, afectando simultaneamente a visão e a audição.

Doença de Stargardt

• Consiste em diversos escotomas do centro para a periferia da retina, mantendo-se quase sempre um ilhéu central de visão.

O aluno deficiente visual…

Características da Criança Deficiente Visual

- A criança deficiente visual é aquela que difere da média, a tal ponto que irá necessitar de professores especializados, adaptações curriculares e ou materiais adicionais de ensino, para ajudá-la a atingir um nível de desenvolvimento proporcional às suas capacidades;
•Os alunos com deficiência visual não constituem um grupo homogéneo;
• Os portadores de deficiência visual apresentam uma variação de perdas que se poderão manifestar em diferentes graus de acuidade visual;

Adaptações educacionais para os Deficientes Visuais

• A educação da criança deficiente visual pode se processar por meio de programas diferentes, desenvolvidos em classes especiais ou na classe comum, recebendo apoio do professor especializado;
• As crianças necessitam de uma boa educação geral, somada a um tipo de educação compatível com seus requisitos especiais, fazendo ou não, uso de materiais ou equipamentos de apoio.
• A educação do deficiente visual necessita de professores especializados nesta área, métodos e técnicas específicas de trabalho, instalações e equipamentos especiais, bem como algumas adaptações ou adições curriculares;
• A tendência actual da educação especial é manter na escola comum o maior número possível de crianças com necessidades educativas especiais;
• Cabe à sociedade a responsabilidade de prover os auxílios necessários para que a criança se capacite e possa integrar-se no grupo social.

Princípios da Educação do Deficiente Visual

• Individualização
• Concretização
• Ensino Unificado
• Estímulo Adicional
• Auto-Actividade

Estimulação dos sentidos:

• Estimulação visual
• Estimulação do tacto
• Estimulação auditiva
• Estimulação do olfacto e do paladar

Estimulação visual

• Motivar a criança a alcançar, tocar, manipular e reconhecer o objecto;
• Ensinar a “olhar” para o rosto de quem fala;
• Ajustar uma área onde a criança possa brincar em segurança e onde os objectos estejam ao alcance dos seus braços;
• O educador pode usar fita-cola de diferentes cores para contrastarem com os objectos da criança, de modo a torná-los mais visíveis.

Estimulação do tacto

• Descriminar diferentes texturas;
• Experimentar materiais com formas e feitios com contornos nítidos e cores vivas;
• Distinguir a temperatura dos líquidos e sólidos;
• Mostrar como pode manipular o objecto.

Estimulação auditiva

• Ouvir barulhos ambientais, gravadores, rádios…;
• Identificar sons simples;
• Distinguir timbres e volumes dos sons;
• Discriminar a diferença entre duas frases quase iguais;
• Desenvolver a memória auditiva selectiva.

Estimulação do olfacto e do paladar

• Provar e cheirar diferentes comidas (salgadas, doces e amargas);
• Cheirar vinagre, perfumes, detergentes, sabonetes e outros líquidos com cheiros fortes.

Programa pré-escolar

Quando em idade pré-escolar, a criança deficiente visual necessita que se dê importância à “rapidez,” para que atinja o mesmo nível que os colegas normo-visuais.
Para tal é particularmente importante que ela desenvolva :
• capacidades motoras ;
• capacidades da linguagem;
• capacidades discriminativas e perceptivas .

Entrada para a escola

À entrada para a escola a Criança D.V. deve:
• Compreender o seu corpo;
• Ter a lateralidade desenvolvida;
• Estar desenvolvido no Tacto;
• Estar desenvolvido auditivamente

Reabilitação

A Reabilitação é essencial no processo de inserção na sociedade, dado que a redução ou a privação da capacidade de ver traz consequências para a vida do indivíduo, tanto no nível pessoal como no funcional, colocando-o, na maioria das vezes, à margem do processo social, segurança psicológica e nas habilidades básicas;

Sala de recursos

• Estas salas podem estabelecer uma alternativa de qualidade se tivermos em conta determinadas características, tais como:
• necessidade de um apoio individualizado;
• necessidade de um currículo com objectivos funcionais;
• ambientes estruturados e securizantes;
• equipamentos e materiais específicos;
• problemas de saúde graves;
• necessidade de gestão de tempos específicos.

Currículo escolar e a deficiência visual

• Os programas educativos direccionados para os deficientes visuais devem ir ao encontro das mesmas áreas e actividades que se encontram nos programas regulares(sendo feitas adaptações consoante as necessidades e dificuldades dos alunos).


O reforço pedagógico e a coordenação Técnico - Docente

• Ajuste do tempo ao seu ritmo de trabalho;
• Planificação de Actividades;
• Adaptação do Processo de Avaliação.

Orientação e movimentação da Criança com D.V. no espaço

• Processo prolongado e sequenciado que deve começar o mais cedo possível.
- As técnicas mais utilizadas são:
• Guia normovisual;
• Uso da bengala;
• Cão Guia;
• Etc.

A aprendizagem da criança com deficiência visual

• A capacidade de aprendizagem de uma criança não está directamente relacionada com o seu grau de visão;
• Depende do momento em que a criança perdeu a visão.

Adaptação do Espaço

• Serão necessárias adaptações no espaço se a dificuldade de visão for acrescida de outras;
- Conhecer o ambiente escolar;
- Na sala de aula é necessário:
• Comunicação Oral;
• Condições de iluminação;
• Organização do espaço e dos materiais;
• Estratégias e recursos.

Avaliação Clínica

- A Equipa deve ser constituída por:
• Professor do Ensino regular;
• Serviços Especializados de A.E.;
• Oftalmologista;
• Ortoptista;
• Técnico de Reabilitação;
• Psicólogo;
• Técnico de Serviço Social;

Avaliação funcional


• Consiste em avaliar os aspectos funcionais da visão e as suas implicações educacionais;
• Ocorre em contextos naturais e implica recolha de elementos relativos à forma como a pessoa utiliza a sua visão em ambientes com condições diferentes;

Avaliação

• A avaliação deve ter em conta:
– Idade do início das dificuldades visuais;
– Modo de progressão da perda de visão- lento ou abrupto;
– Causa dessas dificuldades – sistémica (ex. diabetes), ou confinada ao olho;
– Se a patologia é hereditária, congénita, ou adquirida (antes dos 5 anos ou após este período);
– Se o prognóstico é estacionário ou evolutivo.

• A avaliação para ser eficaz deve:

– Utilizar formas de comunicação que a criança/jovem compreenda;
– Incluir objectos e materiais familiares interessantes;
– Apresentar esses materiais e objectos de forma contextualizada, baseada numa aprendizagem significativa e estruturada;
– Organizar e provocar situações de aprendizagem estruturada mediante a utilização de objectos e materiais, apresentados em contextos naturais.

Educação Inclusiva / Especial


Educação Inclusiva / Especial

O que é a educação inclusiva?


A educação inclusiva é uma acção educacional humanística, democrática, 

amorosa mas não piedosa, que percebe o sujeito em sua singularidade e
que tem como objectivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos.

O conceito de educação inclusiva surgiu a partir de 1994, com a Declaração de Salamanca.

A ideia é que as crianças com necessidades educativas especiais sejam incluídas
em escolas de ensino regular. O objectivo da inclusão demonstra uma evolução da
cultura ocidental, defendendo que nenhuma criança deve ser separada das outras
 por apresentar alguma espécie de deficiência.
Do ponto de vista pedagógico esta integração assume a vantagem de existir

interacção entre crianças, procurando um desenvolvimento conjunto.
No entanto, por vezes, surge uma imensa dificuldade por parte das escolas
 em conseguirem integrar as crianças com necessidades especiais devido
 à necessidade de criar as condições adequadas.

Com a Declaração de Salamanca surgiu o termo necessidades educativas

 especiais, que veio substituir o termo “criança especial”, termo anteriormente
 utilizado para designar uma criança com deficiência. Porém, este novo termo
não se refere apenas ás pessoas com deficiência, este engloba todas e
quaisquer necessidades consideradas “diferentes” e que necessitem de algum
 tipo de abordagem específica por parte de instituições. Num mundo cheio
de incertezas, o Homem está sempre a procura da sua identidade e, por
vezes, chega mesmo a procurar integrar-se na sociedade que o rodeia, pois
fica um pouco “perdido”.

A educação inclusiva apoia os deficientes numa educação especial.

 
A Educação Especial é o ramo da Educação, que se ocupa do atendimento
 e da educação de pessoas deficientes, ou seja, de pessoas com necessidades
 educativas especiais.
A Educação Especial é uma educação organizada para atender especifica

e exclusivamente alunos com determinadas necessidades especiais.
Algumas escolas dedicam-se apenas a um tipo de necessidade, enquanto
que outras se dedicam a vários. O ensino especial é mais frequente em
 instituições destinadas a acolher deficientes, isto tem sido alvo de criticas,
por não promoverem o convívio entre as crianças especiais e as restantes crianças.
 No entanto, é necessário admitir que a escola regular nem sempre consegue
oferecer uma resposta capaz de atender as diversas necessidades destas crianças.
A Educação Especial lida com fenómenos de ensino e aprendizagem diferentes
do Educação regular, são vários os profissionais que podem/devem trabalhar
na educação especial, como por exemplo o Educador físico, Professor,
Psicólogo, Fisioterapeuta, Terapeuta ocupacional…

Como podemos concluir, uma escola direccionada para a educação especial

 conta com materiais, equipamentos e professores especializados.
O sistema regular de ensino precisa adaptar-se, caso deseje ser inclusivo.
 Hoje, já se conhecem mais escolas a adaptarem-se e a tornarem-se inclusivas.
 A criança com necessidades educativas especiais ou a sua família já pode optar
 mais facilmente sobre onde pretende leccionar o aluno.
Para que o ensino especial nas escolas regulares seja de qualidade e consiga

atender às diferenças individuais de cada criança, é necessário uma

A tecnologia e o desenvolvimento da Informática veio abrir um novo

 mundo de possibilidades comunicativas e de acesso à informação,
sendo estas um auxílio a crianças portadoras de necessidades especiais
 pois permitem facilitar todo o processo educacional que visa a formação
 integral de cada aluno especial.
A tecnologia deve ser encarada como um elemento cognitivo capaz

 de facilitar a estrutura de um trabalho, pois facilita as descobertas,
garantindo, assim, condições propícias para a construção do conhecimento.
São inúmeras as vantagens que o uso das tecnologias podem trazer no

que diz respeito ao ensino de crianças especiais, estas permitem:

• Alargar horizontes levando o mundo para dentro da sala de aula;
• Aprender fazendo;
• Melhorar capacidades intelectuais tais como a criatividade e a eficácia;
• Que um professor ensine simultaneamente em vários locais;
• Vários ritmos de aprendizagem na mesma turma;
• Motivar o aluno a aprender continuamente, pois utiliza um meio com

que ele se identifica;
• Proporcionar ao aluno os conhecimentos tecnológicos necessários para

ocupar o seu lugar no mundo do trabalho;
• Aliviar a carga administrativa do professor, deixando mais tempo livre

para dedicar ao ensino e à ajuda a nível individual;
• Estabelecer a ponte entre a comunidade e a sala de aula.

Assim, o uso da tecnologia pode despertar em crianças especiais o interesse

e a motivação pela descoberta do conhecimento. A deficiência deve ser
encarada não como uma impossibilidade mas como uma força, onde o uso
 das tecnologias pode desempenhar um papel significativo.



Será o ensino regular a melhor opção para uma criança com necessidades

 educativas especiais?

O Suporte Emocional


Em primeiro lugar, deve reconhecer-se que o contacto e o convívio, formal

 e informal, entre os diversos alunos, com e sem deficiências, é um meio
 para que os comportamentos, típicos de cada um e/ou de cada deficiência
 se normalizem.
É uma oportunidade para a construção de relações afectivas, que podem

 vir a revelar-se, ao longo dos anos, como um suporte emocional fundamental
 na construção da personalidade dos alunos com deficiência. Faz com que
 ganhem forças para superar modificações sociais, geralmente mais
 autónomas e diversificadas. Por sua vez os alunos ditos “normais”
poderão desenvolver uma maior capacidade da aceitação da diferença.

Suporte Social e instrução 


Num envolvimento normal, as pessoas com deficiência podem ter um

suporte social e/ ou um suporte instruidor. A convivência com colegas,
o apoio destes nas actividades da escola contribui para um suporte social.
O suporte instruidor deriva da aprendizagem cooperativa, da aprendizagem
 por imitação, etc. Estes suportes são bastante importantes no desenvolvimento
 dos alunos com deficiência mental acentuada. No entanto, especialistas
 concluem que não se têm valorizado suficientemente o papel que as redes
de suporte social podem fazer com estas crianças, bem como com
as suas famílias.
O apoio de especialistas pode ir reduzindo as distâncias entre crianças

normais e crianças com deficiência, os professores de apoio que trabalham
fora da sala de aula, com pequenos grupos de alunos, podem passar a dar
apoio dentro dela. Este caminho implica a organização do trabalho interagindo, solidariamente, os dois professores (normal e de ensino especial) assim,
 podem definir e construir a melhor forma de trabalharem.
Algumas pessoas entendem que o apoio na sala de aula pode ter algumas

 consequências negativas nas aprendizagens, como por exemplo, uma quebra
de atenção por parte do aluno durante a realização de uma tarefa, situações
de discriminação, etc.
No entanto, o objectivo fundamental é criar melhores condições de

 aprendizagem para todos os alunos, a presença de outros
 recursos na sala de aula, no caso um segundo professor, pode
 constituir uma ajuda importante.
O aluno com necessidades especiais necessitará sempre de apoio extra aula,

 o apoio na sala de aula é importante mas não é o suficiente, este deve ser
alargado a outros espaços/ambientes.


Cooperação e Organização da Sala de Aula


Uma boa organização na sala de aula exige a presença de regras claras,

quer no que respeita ao comportamento, como na forma de execução das
tarefas e actividades de aprendizagem. No entanto, todo esse processo
de organização e funcionamento deve passar pelo respeito mútuo,
pela aceitação e compreensão das necessidades do outro, por um processo
aberto e dinâmico de negociação onde o aluno se sente responsável e participante.

Inclusão e suporte social às familias


A implementação da inclusão escolar não deve ignorar o funcionamento

 das famílias com crianças deficientes. O facto de crianças com
necessidades educativas especiais frequentarem uma escola regular
é uma fonte geradora de stress.

Stress Familiar e a escola a escolherem


Como já referimos anteriormente as famílias de pessoas com necessidades

 educativas especiais, embora consideradas competentes e capazes
de responder às necessidades dos seus filhos, são particularmente
 vulneráveis ao stress. Assim, a deficiência influencia as relações familiares
a vários níveis tais como a ruptura matrimonial, os desentendimentos
 entre pais e filhos, a qualidade da relação entre irmãos, o aumento
das dificuldades económicas, num maior isolamento, etc.

Mudar a escola tornando-a mais receptiva à diferença (mais inclusiva)

 é difícil, se esta não se ajustar às expectativas e necessidades das famílias
e dos alunos será um factor/fonte considerável de stress e violência para o
aluno e para a família.
O aumento do stress familiar, motivado pela decisão da criança com

deficiência frequentar uma escola regular, parece resultar de
vários factores, tais como:

• Do confronto diário com a diferença entre os seus filhos e as crianças

ditas “normais”;
• Do sentimento de discriminação;
• Das dificuldades encontradas na adaptação social e escolar dos seus filhos;
• Do receio da integração levar à perda de outros serviços prestados

à criança e à família;
• Do receio de colocarem os seus filhos num envolvimento que

consideram “não preparado” para os receber e onde estarão “menos protegidos”.

A diversidade de apoios sociais, formais e informais, parecem reduzir

o stress familiar. Uma investigação mostrou que as famílias que
apresentam menos stress são as que recebem ajudas a vários níveis.
Os parentes e amigos podem desempenhar um papel fundamental no
 alargamento das relações sociais das famílias com crianças deficientes.
Também os profissionais são um apoio importante com que as famílias
deverão contar, apesar da história de relações entre pais e profissionais
nem sempre tenha sido positiva.




Cuidar de Pessoas com Deficiência


O grau de evolução de um povo pode ser mensurado pelo cuidado para com seus membros mais vulneráveis e doentes.

Diante de alguém com deficiência física, motora, sensorial ou mental, as pessoas vivem sentimentos contrastantes e contraditórios: desde a repulsa até a compaixão.

O conceito de deficiência está ligado à idéia de imperfeição, fraqueza, carência. Muitos confundem a deficiência com o seu portador e, consequentemente, o termo passa a ser usado de forma discriminatória e injusta. A deficiência passa a ser vista como uma mancha, um defeito, uma mácula, uma tara. Precisamos distinguir e "ver a pessoa na deficiência e não a pessoa como um deficiente".

Ao longo da história, temos uma lista enorme de expressões para designar quem é portador de determinada deficiência. Em geral são expressões preconceituosas e ofensivas à dignidade humana. Eis as mais comuns: paralítico, anormal, mongoloide, aleijado, manco, inválido, imperfeito, retardado, débil, defeituoso, excepcional, entre tantas outras.

Chamemos a pessoa pelo nome e não pela deficiência!

Além de proporcionarmos os cuidados médicos de reabilitação ou de saúde mental necessários, sejamos promotores de dignidade!

(Pe. Leo Pessini, Camiliano)

Deficiência



Quando um ventre se enche de vida, a esperança aflora no Mundo.

Os pais se preparam para receber alguém e se enchem de expectativas: Meu filho será belo, forte, saudável, feliz.

Ninguém pensa em coisas desagradáveis. Quando a criança nasce, contamos os dedinhos, avaliamos cuidadosamente cada centímetro do corpo, em busca da certeza de que tudo está bem.

Mas... E quando o anjo que chega tem as asas quebradas? Quando a criancinha traz os olhos velados, os ouvidos fechados, a voz emudecida?

Cegueira, paralisia, surdez, nanismo, Síndrome de Down. Nunca pensamos que o nosso filho possa ser portador de deficiências desse tipo. Não nos preparamos para isso.

E, por essa razão, choramos lágrimas amargas, certos de que Deus nos esqueceu ou nos castigou.

Enganosa conclusão.

Deus jamais castiga. Nosso Pai Divino, Perfeito e Bom, é todo amor por Seus filhos.

Então: O que aconteceu? Por que aconteceu? Por que comigo?

Essas perguntas, que nos transtornam as almas, muitas vezes permanecem sem resposta.

Mas, acredite que há uma forte razão para que isso tenha ocorrido.

Estamos todos inseridos em uma lei perfeita, que rege nossas vidas, de acordo com nossos atos e nossa capacidade de superação.

Assim, quem recebe uma criança deficiente, deveria fazer novas perguntas: Para que Deus me deu de presente um de Seus filhos, nessa circunstância?

Que tenho eu de tão especial e bom para que Ele me escolhesse para cuidar de um de Seus filhos mais necessitados de proteção e afeto?

Que lições posso tirar dessa experiência?

Sim, não se confia missões importantes a pessoas despreparadas. Para as situações mais delicadas, que exigem dedicação e maturidade, escolhem-se os mais dedicados e maduros.

E você acha que Deus sabe menos do que nós? Claro que não. Ele sabe escolher bem.

Por outro lado, muitas vezes, aquilo que imaginamos ser uma situação infeliz, torna-se um belo desafio. Ou uma oportunidade de renovação.

Basta descobrir a razão porque Deus nos permitiu passar por isso.

Se pensarmos assim, vamos descobrir uma força interior capaz de mover mundos. Uma capacidade de improvisar diante do inesperado.

E essa força será movida pelo amor.

Quem sabe se essa experiência é a que nos fará despertar para a desigualdade do Mundo em que vivemos?

Quem sabe se não é o estímulo que faltava para que olhássemos para os lados e víssemos que precisamos de escolas mais preparadas, de profissionais treinados, de ruas e prédios adequados?

Enfim, com a experiência de um ser amado, portador de deficiência, aprendemos a conviver e a amar muito os que são diferentes de nós.

E mais: descobrimos que a diferença está apenas na aparência, pois a alma é igual à nossa: cheia de sonhos e esperança.

Carente de respeito e, principalmente, de amor verdadeiro.



Redação do Momento Espírita.

Onde está a deficiência, enfim?





Onde está a deficiência, enfim?

"...Esses espíritos sofrem pelo constrangimento que experimentam e pela impossibilidade em que se encontram de se manifestarem por meio de órgãos não desenvolvidos ou desarranjados." (L.E. - q. 372)

"...Essa a razão pela qual as grandes obras de engenharia, em sua feição beneficiária, apesar de materiais, possuem elevada significação pela extensão de sua utilidade ao espírito coletivo." (O Consolador. - q. 93)

Consultando as páginas de qualquer Dicionário de Língua Portuguesa, vamos encontrar o conceito de deficiência como sendo: falta, insuficiência, imperfeição.

Ao ouvirmos tal palavra, somos, invariavelmente, levados a pensar sobre aqueles que trazem restrições de natureza física, oriundas, naturalmente, dos compromissos assumidos em sua programação existencial ou reencarnatória e, automaticamente, nos vêm sentimentos os mais diversos quanto contraditórios, desde a piedade pela situação até a mais completa indignação com o descaso das "autoridades" políticas da nossa cidade ou País.

Em momento algum _ com raras exceções - ocorre-nos que nós, cidadãos comuns, espíritas, poderíamos dar a nossa parcela de contribuição, no sentido de minimizar ou aliviar a provação desses, propondo ou criando meios para reduzir-lhes os empecilhos da marcha.

De uma maneira geral, quais seriam os desejos daqueles que se vêem na situação da limitação física, perguntamos ? Responderão muitos: seguramente, o respeito da sociedade e das Instituições; a liberdade para poderem deslocar-se e integrar-se com facilidade; a autonomia, sobretudo, para escolherem aonde ir e chegar até lá, sem constrangimento, além dos que possuem consigo.

Argumentaremos, ainda, outros, que nada podemos fazer, além de cobrar medidas urgentes dos nossos administradores.

Ora, amigos ! Basta lancemos um olhar sobre as nossas Instituições, notadamente, aquelas das quais participamos e nas quais investimos os nossos melhores esforços, no sentido de dar todas as condições de conforto espiritual e material para os que das suas instalações usufruem.

O detalhe, entretanto, é que, pouquíssimas vezes imaginamos que uma pessoa com deficiência física possa procurar por uma Casa Espírita, a fim de ali, também, encontrar aquilo que já encontramos.

Quantos são os que nessa situação participam de nosso Grupo ? Será que não há nenhum espírita ou pretendente que esteja nesta posição ? Será que o Espiritismo e o Centro Espírita são para eles, igualmente ?

A população de indivíduos com deficiências (sem contar gestante e idosos, que igualmente têm as suas limitações) é significativa . E se pararmos para pensar, além disso, que a Doutrina Espírita, por seu caráter consolador é, por si só, um "atrativo" para essas almas, vamos ter entre nós muitos desses companheiros buscando as nossas Casas. Se a isso somarmos gestantes, idosos, crianças até, este volume vai aumentar mais ainda.

Mas, alegremo-nos, as soluções não são, de uma maneira geral, difíceis e estão ao alcance de freqüentadores, trabalhadores e diretoria dos Núcleos Espiritistas.

Verifiquemos, reflitamos sobre quantos são os obstáculos físicos que uma pessoa nestas circunstâncias deverá enfrentar, até que chegue ao local desejado na nossa Casa. Vejamos, à guisa de ilustração, como poderíamos começar a colaborar, efetivamente, e a dar a nossa quota de exemplificação, no que se refere à integração e promoção sociais:

* estudar, junto à Prefeitura local, possibilidade de reservar vaga de automóvel para deficiente no estacionamento público (o da rua). Porém, se o Centro tem estacionamento próprio, destinar uma ou mais vagas para deficientes; preferencialmente próximas às portas de acesso;
* eliminar os desníveis do meio fio, através do rebaixamento das guias, respeitando-se a inclinação de 8% (aproximadamente 5 graus; uma rampa bem suave, portanto);
* criar rampas - suprimindo degraus _ a partir de 2m para dentro do alinhamento predial, incluindo-se as portas de acesso externas e as internas (é proibido fazê-lo no passeio público, pois, com isso, estaríamos gerando outros degraus transversais para quem por ele transitasse). Essas rampas não devem ter inclinação superior a 8%, ou seja, para cada metro horizontal, subir 8cm na vertical;
* alargar as portas internas, permitindo-se, por exemplo, que por elas passe cadeira de rodas, além dos braços daquele que a movimenta;
* prever espaço em auditórios e salas de trabalho para posicionamento de cadeira de rodas ou similares. Percebam que isso também pode servir para carrinhos de bebês;
* facilitar deslocamento interno _ largura de corredores e tipo de piso adequados e seguros para tráfego de pessoas com limitações físicas;
* instalar duchas higiênicas e barras de apoio nos banheiros. Há muitos produtos no mercado.

Há Legislação específica que trata dos direitos, além dos parâmetros construtivos para deficiências físicas. Vamos cogitar, por nossa vez, sobre alguns destes pontos.

Enfim, reunamos os colaboradores e os usuários do nosso Grupo, a fim de estudar, em conjunto, soluções práticas e exeqüíveis para, de toda maneira, estimular a participação, a integração e valorizar essas potencialidades que jazem tolhidas, muitas vezes até, pela impossibilidade de participarem das atividades do Centro Espírita.

E, voltando à questão inicial, podemos dizer que a deficiência, realmente, está em nós mesmos, nas imperfeições das nossas edificações, na insuficiência de equipamentos e recursos das instituições, que não atendem a estas questões de significativa importância.

É hora de começarmos a perceber que podemos contribuir ainda mais do que já o fazemos, começando por melhorar estes pequenos aspectos, transformando o nosso ambiente de labor espírita em lugar acessível, de fato, a todos quantos o procuram para, ali, receber e dar devida atenção e apoio.


Márcio da Cruz Santos

(Jornal Mundo Espírita de Agosto de 2000)