Vencer as dificuldades de comunicação é o maior desafio das crianças com autismo


O sentimento é tão profundo, que faltam palavras para expressá-lo. Há raiva, carinho, tédio, mas falta de habilidade em comunicar.Resultado: uma imersão cada vez maior na realidade interna e um descolamento do que acontece em volta. Simplificando, é esse o círculo que envolve as crianças que nascem com autismo.
Trata-se de um distúrbio que se apresenta no início da infância, comprometendo a comunicação, a imaginação e interação social. A criança com autismo, normalmente, não aparenta nenhuma deficiência, e isto muitas vezes faz com que as pessoas a julguem como mal educada , afirma a psicóloga Ana Maria Serrajordia, mãe de uma criança autista e umas das fundadoras da AMA (Associação de Amigos do Autista).
Os problemas surgem em decorrência de transtornos no desenvolvimento do sistema nervoso. São disfunções crônicas, que surgem até os três anos de idade da criança. É genético, em muitos casos, mas pode ser adquirido, conseqüente de infecções e outros problemas perinatais , afirma a pediatra Fátima Dourado, presidente da Casa da Esperança. Alguns estudos mostram que fatores biológicos estão envolvidos com o transtorno autista, mas ainda não foi identificado um marcador específico. Sabe-se com certeza que o autismo não esta ligado a vivências psicológicas da infância.

A integração social é uma as principais dificuldades das crianças autistas. Normalmente, elas não dividem experiências e descobertas da infância, nem mesmo com os pais , afirma Ana Maria. Complicações na fala remetem a outro sintoma do distúrbio. A criança demora a falar ou apresenta fala em eco (repetindo tudo o que ouve).

Às vezes, a linguagem é bastante correta, mas elas não usam a fala para conversar, e sim para fazer longas exposições sobre temas da sua preferência , diz a psicóloga. Segurar no braço de alguém, puxando para pedir alguma coisa é outro hábito dessas crianças diz Fátima.

A dificuldade para brincar em grupo acaba favorecendo o isolamento e os movimento repetitivos. A área da imaginação, entre os autistas, também é diferente, Há fixação em rotinas, temas ou comportamentos repetitivos, como gestos ou falas. Há casos de quem repete sem parar comerciais de televisão, por exemplo.
Um dos elementos cruciais para ajudar alguém com autismo está nos pais, que precisam estar dispostos a acompanhar os filhos, buscando ajudá-los em todas as áreas afetadas pelo problema. Para conseguir avanços, é necessário um investimento persistente em tratamento e educação afirma Ana Maria.
Diagnóstico precoce, acompanhamento médico e de um fonoaudiólogo além de terapia ocupacional, no entanto, melhoram muito a qualidade de vida dos portadores de autismo, que não tem cura. A medicação, por sua vez, só é empregada quando existem graves problemas comportamentais e isso acontece pelo menor tempo possível. O acompanhamento especializado é necessário por toda a vida.

Vale lembrar que o problema manifesta-se em vários níveis. Mas, quando bem realizado, o tratamento traz efeitos positivos em qualquer um eles, com aumento nas habilidades de comunicação e de comportamento. E, como a criança passa muito mais tempo com os pais, o papel deles é tão ou mais importante quanto o dos terapeutas , afirma a psicóloga. Hoje em dia, já há casos de pessoas que conseguem estudar em escolas regulares e até cursar uma universidade.

Epilepsia e hiperatividade são transtornos que, eventualmente, surgem associados ao autismo. Mas ainda não dispomos de estudos que expliquem essa relação , diz a pediatra. O distúrbio é encontrado em crianças de todo o mundo, independente da raça, e compromete 20 entre cada 10 mil nascidos. Os meninos são os mais atingidos (a proporção é de quatro casos masculinos para cada feminino).


Fonte:
http://yahoo.minhavida.com.br/materias
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