CRIANÇAS HIPERACTIVAS





CRIANÇAS HIPERACTIVAS



Crianças com características evidentes de hiperactividade podem sofrer do que hoje se chama Distúrbio do Déficit da Atenção/ Distúrbio Hiperactivo do Déficit da Atenção. Há alguns anos atrás, estas crianças eram consideradas como rebeldes e mal-educadas e eram alvo de punições nas escolas e no convívio com a sociedade.


Na década de 70, foram realizados variados estudos científicos de grande importância nos Estados Unidos e Canadá, focalizando este tipo de comportamento nas crianças. De entre as múltiplas conclusões destes estudos podemos destacar que crianças com DDA/PHDA são crianças perfeitamente normais e muitas vezes com inteligência acima da média. No entanto, são crianças que apresentam dificuldades em seguir regras e padrões de comportamento, para além de terem grandes problemas de concentração e de atenção, o que lhes dificulta grandemente as suas aprendizagens (quer a nível
escolar, quer a nível social).

Estas crianças passam por inúmeras dificuldades de adaptação em casa, na escola, e na vida social, devido à sua necessidade de estar constantemente em actividade. O sossego de uma tarde de Domingo pode ser muito bom para toda a família. No entanto, será certamente muito frustrante e desmotivante para estas crianças.

Na maioria das vezes, os seus problemas são agravados pelas outras pessoas, por não saberem relacionar-se adequadamente com a criança.

Características das Crianças Hiperactivas

• Falam alto, muito e rapidamente e, na maioria das vezes, em horas consideradas impróprias e incómodas pelos adultos;

• Precisam de estar em constante movimento, estando sempre envolvidos em alguma actividade. No entanto, não demora muito a saltarem de actividade em actividade;

• São incapazes de ficar sentadas imóveis por longo período;

• Agem IMPULSIVAMENTE: não conseguem esperar pela sua vez de falar e, frequentemente, interrompem quem está a falar;

• Respondem antes de ouvir a pergunta toda;

• Explodem com facilidade;

• Nunca deixam de ouvir e observar o que os rodeia, mesmo que pareçam estar distraídos;

• Devido à sua infindável curiosidade, reserva de energia, e necessidade de explorar e descobrir coisas novas, tornam-se muito susceptíveis de se magoarem (terem ou provocarem acidentes) ou partir coisas;

• Estas crianças, têm uma péssima e baixíssima tolerância e aceitação de fracassos e/ou frustrações;

• Discutem, enfrentam e argumentam com pais, professores, adultos parentes e amigos. Este procedimento não é um desafio ou uma afronta. É uma reacção natural do seu organismo;

• Têm tendência a agarrarem-se com toda a convicção e muito emocionalmente um ponto de vista, ideia, opção ou conceito, em que realmente acreditem.

O seu relacionamento com quem os rodeia

É de fundamental importância que pais, parentes e amigos entendam que o comportamento inadequado de crianças hiperactivas não é um comportamento intencional, mas sim uma característica do distúrbio neurológico de que estes meninos e meninas sofrem.

É suficiente uma questão mal entendida por estas crianças para que se desencadeie uma confusão infindável.

Para algumas crianças com PHDA e sua família, uma actividade comum de lazer como a ida a um parque de diversões pode transformar-se num verdadeiro inferno. Isto porque num ambiente como este existem muitos "estímulos" visuais e auditivos simultâneos.

Devido à sua incapacidade de concentração e o desejo insaciável de explorar novas situações, as múltiplas opções do parque podem "sobrecarregar" a criança, resultando em desvios de comportamento e excessos de energia.

Estas crianças entendem que certos comportamentos não são aceitáveis mas apesar de tentarem e de se esforçarem para se comportarem de uma forma adequada, não conseguem manter o controle durante muito tempo. Isto muitas vezes acarreta uma dose violentíssima de frustrações para elas e, consequentemente, para os seus familiares.



Os Pais

Os Pais de crianças hiperactivas merecem toda a compreensão, carinho e atenção de seus amigos e parentes. Estes pais precisam de muita paciência, compreensão, força de vontade, perseverança e amor para enfrentar e vencer os percalços e frustrações decorrentes das condições da criança.

Estes pais são constantemente postos à prova, nas situações mais bizarras e/ou constrangedoras, levando-os ao esgotamento físico e mental.

Os pais destas crianças são frequentemente confrontados com conflitos existentes entre a criança e seu meio ambiente (irmãos, amigos, professores, etc.), não sendo capazes de, sozinhos, resolverem e enfrentarem estas mesmas situações sozinhos, sem o devido acompanhamento. Esta situação provoca cansaço, depressão, frustrações desentendimentos e desânimo. Na maioria dos casos, o desespero é tal que desistem de investir na criança. ISTO NÃO IMPLICA QUE NÃO GOSTEM!

Os pais devem tentar, sempre que o consigam fazer, lembrar-se que a criança está travando uma batalha maior que a deles para superar as limitações que a natureza impôs ao seu organismo. Assim, é fundamental que os pais tentem também vencer a difícil batalha de se sentirem culpados ou envergonhados pelo comportamento inadequado dos filhos.

Como obter um bom relacionamento com crianças hiperactivas

A criança não deve ser submetida a " estímulos " múltiplos e simultâneos ( caso da visita ao parque de diversões). Não podemos encher a vida e os horários de uma criança hiperactiva pois, em vez de gastar energia, vai acumular mais e mais energia ao longo dessas várias actividades.

Quando for atribuída uma tarefa ou quando se exigir algo da criança, devemos ter a certeza de que o que estamos a exigir dela está dentro das suas capacidades (Ex: exigir que a criança fique quieta por várias horas é para ela uma meta quase impossível de ser atingida).

Ao estabelecer metas ou tarefas para a criança, não se poupe a elogios sempre que a tarefa for completada dentro das condições esperadas. Assim, a criança vai sentir-se estimulada a tentar atingir resultados positivos sempre que for posta à prova.

Estas crianças são muito inteligente e não aceitam frustrações. Logo, devemos evitar colocá-las em situações que tornem "falso" aquilo que elas acreditavam ser "verdadeiro".

Potenciar o erro numa criança hiperactiva normalmente tem um resultado desastroso.

Assim, devemos ser concisos e objectivos nas informações que lhes fornecemos e nas metas que pretendemos que eles atinjam.

Quando prometemos qualquer coisa a um hiperactivo, temos que cumprir e temos que o fazer exactamente da forma como nos comprometemos perante elas.

Não podemos fazer promessas dependentes de variáveis que não dependem da criança (por exemplo " se não chover você poderá fazer..." ou "se eu tiver dinheiro eu dar-te-ei..."). O mais correcto será não prometer e dar ou fazer apenas quando for possível.

Jamais devemos considerar como uma afronta, desrespeito ou desafio o facto da criança enfrentar, discutir e argumentar com adultos. Estas reacções não constituem uma afronta e sim uma característica de sua condição.

Não devemos exigir dos pais destas crianças atitudes drásticas em relação a um comportamento inadequado. Claro que as pessoas não gostam de certas atitudes, no entanto, devemos ser tolerantes, compreensivos e positivos pois só se assim procedermos estaremos a tomar uma atitude construtiva.

Finalmente, o sucesso da criança hiperactiva depende de todos os membros da família e cada um deve dar sua contribuição. Isto significa que devemos fazer as coisa de forma concreta e objectiva para que a criança entenda, pois só assim ela conseguirá, gradualmente, ultrapassar as suas dificuldades.

Pessoas famosas que sofrem/sofreram alguns traços de DDA/PHDA

Beethoven; Richard Burton; Harry Belafonte; Principe Charles; Agatha Christie; Winston Churchill; Ernest Hemingway; Leonardo Da Vinci; General Eisenhower; Henry Ford; John F. Kenedy; Michael Jordan; John Lennon; Steve McQueen; Ronald Reagan; Steven Spielberg; Sylvester Stallone; Stevie Wonder (entre outros, não tão conhecidos).


Fonte: APCH - Associação Portuguesa de Crianças Hiperactivas
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