TRANSTORNO DE DÉFICIT DA ATENÇÃO / HIPERACTIVIDADE (THDA) 2




TRANSTORNO DE DÉFICIT DA ATENÇÃO / HIPERACTIVIDADE (THDA)

Conceito, possíveis causas e tratamento


O tema solicitado é extremamente importante, tanto do ponto de vista “médico” quanto do ponto de vista “social” e “espiritual”...

Prevalência, conceito e possíveis causas do Transtorno Hiperactivo . Segundo o pediatra Dietrich Schultz o Transtorno Hiperactivo, hoje, “é diagnosticado em um número significativamente maior de pacientes: de acordo com a rigidez dos critérios utilizados, a frequência do diagnóstico pode variar entre 1% e 15% ! “. Segundo G.J. BALLONE (2003) “a prevalência do Deficit de Atenção e Hiperactividade está entre 3% e 5% em crianças em idade escolar e costuma ser mais comum em meninos do que em meninas. Em adolescentes de 12 a 14 anos, pode ser encontrado numa prevalência de 5,8%.”

Além da frequência relativamente alta, o tema envolve algumas polémicas médicas, principalmente quanto à etiologia, isto é, a(s) causa(s) e, há quase 4(quatro) décadas, um autor chegou a dizer, satiricamente, que a disfunção cerebral mínima constituía a "confusão neurológica máxima" (GOMES, A .R. Minimal cerebral dysfunction (maximal neurological confusion) – (Clin. Ped. 6:589, 1967). Hoje, parafraseando este autor, diremos nós: A DISFUNÇÃO CEREBRAL MÍNIMA É A IGNORÂNCIA NEUROLÓGICA MÁXIMA; porque, desconhece-se DETALHES das causas.

Em consequência, várias denominações foram propostas para o distúrbio e hoje a expressão “disfunção cerebral mínima” não é mais usada. Disfunção cerebral mínima? Lesão cerebral mínima? Transtorno de deficit de atenção / hiperactividade (TDAH) ou Transtorno hipercinético (TH)? O Manual de Diagnóstico e Estatística (DSM) da Associação Psiquiátrica Americana (APA), em sua 4ª edição, o DSM-IV de 1994, vigente, denominou o transtorno como Transtorno de déficit de atenção / hiperactividade (TDAH). A Classificação Internacional de Doenças e do Comportamento, da Organização Mundial de Saúde, na sua 10ª. Edição, a CID – 10, classificou-o como Transtorno Hipercinético (TH).

Quadro clínico do TDAH ou TC. O DSM-IV assim caracteriza o “Transtorno de Deficit de Atenção / Hiperactividade”, em dois grupos: (1) INATENÇÃO: Pelo menos seis sintomas de inatenção devem persistir pelo menos por 6 meses em grau desadaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento; (2)- HIPERATIVIDADE - IMPULSIVIDADE: Pelo menos seis sintomas de hiperactividade e impulsividade devem persistir por pelo menos 6 meses, em grau desadaptativo ou inconsistente com o nível de desenvolvimento da criança. Os sintomas devem estar presentes antes dos 7 anos de idade.

Enfim, são crianças extremamente inquietas, com atenção dispersa e impulsivas, e o diagnóstico baseia- se, a nosso ver, no exagero do componente psicomotor e por isso, concordamos com a CID-10, quando denomina o distúrbio como “Transtorno Hipercinético” (TH).

Além disso, o paciente com transtorno hipercinético apresenta, frequentemente, alterações no eletroencefalograma (EEG), embora não seja a regra. Para complicar ainda mais o problema, muitas vezes, o TH se associa com “deficiência mental”, “epilepsia” e até com “autismo infantil” -

Aspectos Fisiopatológicos do TH – O factor “genético”. O TH caracteriza-se, a nossa ver, fundamentalmente, por uma alteração funcional do cérebro como um todo, há uma “excitação” da “formação reticular”, uma região do cérebro responsável pelo despertar, pela “vigília” (ver ESQUEMA DO ENCÉFALO). Isso pode ser comprovado por alterações electroencefalográficas frequentes nestes pacientes; muitos, além da disfunção, são epilépticos, isto é, apresentam alterações electroencefalográficas específicas, enquanto que o TH revela alterações inespecíficas, frequentemente ondas sharp, que são ondas reveladoras de sofrimento cerebral. Enfim, não há dúvida de que o TH é um quadro predominantemente orgânico-cerebral, físico...

Estudos recentes sugerem que no Transtorno Hipercinético (TH) haja uma transmissão “genética” da doença, embora não se saiba precisamente como. Um estudo realizado na Colômbia (cf. MAURICIO ARCOS – BURGOS. “Discriminación de factores genéticos en el deficit de atención (DDA)", in site da Internet, 29/01/00, op. cit.) concluiu que "existe um gen maior que explica mais de 99,9% da variância do genótipo DDA" e que este gen é de "características dominantes e co-dominantes e tem uma penetrância de 30%.(...) quer dizer, uma estimativa próxima de 6% da população geral."

Aspectos psicológicos do TH – Tratamento farmacológico. Com o melhor conhecimento da bioquímica cerebral dos portadores do distúrbio, surgiram medicamentos para o tratamento.

O destaque do quadro clínico–psicológico do Transtorno hipercinético (TH) refere-se à “hiperactividade”, isto é, à “hipercinesia e à impulsividade” e, a nosso ver, o deficit de atenção é secundário à hiperactividade e à impulsividade.

Julgamos importante controlar tais sintomas através de medicamentos e, obviamente, eles só devem ser usados sob acompanhamento médico especializado e com DIAGNÓSTICO RIGOROSO. Tem sido usado, com muito sucesso, o “metilfenidato” ( Ritalina® ), uma substância paradoxalmente excitante da região cortical do cérebro, com isso inibindo a excitação sub-cortical, núcleo primário do distúrbio (não entraremos em detalhes, pois isto envolve aspectos fisiopatológicos difíceis de explicar num trabalho pequeno como este que estamos apresentando ao público).

Os “neurolépticos” também dão bons resultados, temos uma casuística, pequena, neste particular. Também os “tricíclicos” e a “clonidina” em particular têm sido usados com sucesso. Soubemos do relativo benefício medicamentoso no caso do filho de uma leitora nossa, através de um “tricíclico”, como informado por ela posteriormente ao nosso artigo publicado alhures...

O diagnóstico de TH estaria correcto? Há patologia associada (co-morbidade) ? Faltam-nos elementos para explicar este informe do Sr. leitor...

Aspectos Sociais do TH. O paciente com TH sofre, com certeza, diversos “preconceitos”, pois a Sociedade, em geral, tende a excluir uma pessoa com transtornos de comportamento, por não entendê-los, e passa a estigmatizar o paciente como "mal educado" (na infância) ou "mau carácter" (quando adulto). Quando os pais estão em desajustes conjugais, então, o problema se agrava, posto que só um deles em geral cuida do caso... Os pais de pessoas com tais transtornos que conseguirem vencer o bom combate, certamente, ao desencarnarem, observarão a grande evolução espiritual atingida. Mas aqueles pais que, por preconceito, negarem inconscientemente a doença de um filho, julgando-o uma nódoa na família, ou mesmo um filho mal-criado e por isso espancarem-no, ou, ainda, aqueles que abandonarem o filho, também serão atingidos pela “lei de causa e efeito”, e aqui retornarão, com certeza, para pagar seus débitos, terão de reassumir seus “compromissos reencarnatórios”...

Aspectos espirituais do TH. Como vimos, o TH é uma disfunção cerebral, física, que compromete o indivíduo levando-o à “hiperactividade”, isto é, à hipercinesia e à impulsividade. Ora, o livre-arbítrio dessa pessoa estará comprometido pela doença, portanto, o corpo não será dócil ao seu pensar, querer e sentir...Disseram os Espíritos Superiores em resposta à questão 122 de O Livro dos Espíritos, na sua parte inicial: "O livre-arbítrio desenvolve-se à medida que o Espírito adquire consciência de si mesmo....".

Sabendo que o comprometimento encefálico no TH é quase imperceptível, inclusive nos exames tomográficos, acreditamos que este distúrbio é uma oportunidade importante para a PROGRESSÃO ESPIRITUAL, tanto do paciente quanto da família... Dizem os Espíritos Superiores na resposta à questão 779 de O Livro dos Espíritos: "O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente, mas nem todos progridem ao mesmo tempo e da mesma maneira; é então que OS MAIS ADIANTADOS AJUDAM OS OUTROS A PROGREDIR, PELO CONTACTO SOCIAL." (o grifo é nosso). Ou seja, é obrigação dos pais ajudar seus filhos e, principalmente, um filho com uma PROVA de difícil cumprimento, posto que o Espírito terá de agir num cérebro excitado.

A questão da aplicação de passes na própria residência. Não entraremos em polémica com o Sr. leitor, pois ela envolve, a nosso ver, aspectos distorcidos em relação à função do Centro Espírita... Só vou dizer o seguinte: uma pessoa acamada, com uma doença extremamente debilitante ficará desprovida dos benefícios do PASSE? O PASSE NÃO É UM RITUAL, QUE NECESSITE DIA E HORA MARCADOS... Os Espíritos estão à nossa volta, diuturnamente, e não somente dentro dos Centros Espíritas. JESUS não escolhia lugar para “curar” os enfermos, nem dia , nem hora, JESUS TAMBÉM CURAVA AOS SÁBADOS, o que era proibido pelos DOGMAS judaicos...

EPÍLOGO. Minha “intuição” diz que todos nós encarnados na Terra temos compromissos a saldar e que a pessoa que apresenta o Transtorno Hiperactivo é um Espírito que sofre o constrangimento da carne, não pode agir e reagir plenamente, em função de uma excitação cerebral. Embora corporalmente esteja predisposto a agir turbulentamente e com déficit de atenção, a experiência na carne serve para desenvolver o seu livre-arbítrio. É uma experiência semelhante àquela pessoa nas primeiras encarnações, onde o Espírito está muito próximo da simplicidade e ignorância, das quais nos fala a Espiritualidade Maior na resposta à questão 133 de O Livro dos Espíritos... Enfim, é oportunidade para o paciente e os pais progredirem, cumprindo aquele comentário de KARDEC à questão 132 de O Livro dos Espíritos: "(...) tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza".

DEUS conduz essas pessoas “relevando” muitas falhas do Espírito, pois, conforme disse JESUS num trecho da PARÁBOLA DOS TALENTOS: "(...) Pois aquele que tem lhe será dado e lhe será dado em abundância, mas ao que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado." (Mt 25,29). Aqueles, como o Sr. leitor, que estão abertos para a verdade, DEUS dará em abundância... Essa é a nossa “opinião pessoal”.

A determinação, a ternura e o amor de muitas mães são admiráveis, especialmente nas provas mais cáusticas. , é preciso que se ressalte este aspecto – a importância da figura materna para o bom desenvolvimento da criança problemática...


Texto: Dr. Iso Jorge Teixeira

Texto publicado no "Jornal de Espiritismo" e oferecido por um membro da AME Porto

que é responsável pelo espaço jornalístico da coluna "Medicina e Espiritualidade

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